Desemprego atinge 14 milhões de pessoas em abril

Por Eduardo Peret | IBGE 

 

O desemprego ficou em 13,6% no período entre fevereiro e abril deste ano, com o número de pessoas à procura de trabalho chegando a 14 milhões. Esses foram a maior taxa de desocupação e o maior contingente de pessoas desocupadas (sem trabalho e procurando emprego) para um trimestre terminado em abril desde o início da série, em 2012.

 

Entre novembro do ano passado e janeiro último, a taxa era de 12,6%, com 12,9 milhões de desempregados. Já no trimestre fevereiro-abril de 2016, quando a taxa havia ficado em 11,2%, eram 11,4 milhões de pessoas sem trabalho. Este é o 29º trimestre móvel consecutivo de subida da taxa.

 

A população ocupada no trimestre terminado em abril (89,2 milhões de pessoas) caiu 1,5%, na comparação com o trimestre fevereiro-abril de 2016 (90,6 milhões). Conforme explica Cimar Azeredo, Coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, “Temos uma queda em torno de 1,5 milhão de pessoas ocupadas, enquanto a desocupação aumenta 3,5 milhões. Ou seja, há uma proporção, para cada pessoa que perde o trabalho, duas ou três pessoas entram na fila da desocupação. Nós estamos, agora, no menor patamar da série e demora um tempo até ela se recuperar”.

 

O número de empregados de carteira assinada, de 33,3 milhões, também caiu nas duas comparações: -1,7% (572 mil pessoas a menos) contra o trimestre novembro-janeiro e -2,6% (menos 1,2 milhão de empregados) em relação ao trimestre fevereiro-abril de 2016. Esse é o menor contingente de trabalhadores de carteira assinada desde o início da pesquisa, em 2012.

 

Segundo Azeredo, a situação do trabalho de carteira assinada é um indicador fundamental da condição do mercado de trabalho: “A carteira de trabalho foi o primeiro sinal que nós tivemos de que estávamos em crise. Naquele primeiro momento, ali em 2014, quando começamos a perceber queda na carteira de trabalho assinada e, em consequência dessa queda, o aumento do contingente de trabalhadores por conta própria, isso já deu sinais de que tínhamos um problema no mercado. Na sequência, esse trabalho por conta própria avança, mas ele retrai num segundo momento, dado que a crise dura. E aí você começa a ter queda de população ocupada. Desfazer um posto de trabalho com carteira é rápido; recompor esse posto de trabalho demanda mais um tempo. A falta da carteira assinada reflete uma instabilidade no que diz respeito a aumentar, inclusive, à quantidade de pessoas procurando trabalho”.

 

Sobre a perspectiva geral, o pesquisador comenta: “Nós estamos, agora, no menor patamar da série e demora um tempo até ela se recuperar. Teremos a criação de empregos sem carteira, da informalidade, até que, efetivamente, só quando se der a melhora do mercado de trabalho – e não sabemos quando isso vai acontecer – teremos a recuperação do emprego com carteira de trabalho assinada”.

 

Indústria tem primeiro resultado positivo após dois anos de retração

 

Apesar da contínua redução no contingente de trabalhadores, em especial dos de carteira assinada, a Pnad Contínua registrou um expressivo aumento no emprego na indústria, de 1,8% em relação ao trimestre que findou em janeiro, chegando a 11,5 milhões de trabalhadores. Para Azeredo, “esse aumento tem especial importância quando se observa que a indústria estava três anos sem alteração positiva e dois anos registrando perdas seguidas no seu contingente, totalizando, desde 2015, cerca de 1,8 milhão de empregados a menos”.

 

Mesmo com a boa notícia, Azeredo alerta: “Esse é um primeiro resultado, que precisa ser visto com bastante cautela, em função, principalmente, desse cenário de retração que temos no mercado hoje”.

Leia Também

“Nunca houve desmonte tão grande dos direitos trabalhistas”

Entrevista de José Dari Krein ao jornal Folha de São Paulo