Carta 30 | Paralisia econômica, retrocesso social e eleições

Denis Maracci Gimenez e Anselmo Luis dos Santos 
(Editores)

As eleições no Brasil em 2014 ocorreram sobre forte debate sobre as condições da economia brasileira e suas perspectivas para os anos vindouros. Entre evidentes dificuldades conjunturais e profundos problemas estruturais, a desaceleração da economia em curso ao longo do primeiro mandato da Presidente Dilma Rousseff converteu-se no primeiro ano de seu novo mandato, na maior recessão dos últimos 25 anos, conforme as projeções do próprio governo.

Depois de uma década de mobilidade social ascendente, esse comportamento da economia, ainda que lentamente, passou a erodir as condições pretéritas dos importantes avanços sociais ocorridos.

Para tratar deste movimento de reversão econômica e social, nesta edição nº 30 da Carta Social e do Trabalho publicamos o artigo “Paralisia econômica, retrocesso social e eleições” do professor Waldir Quadros. De forma clara, Quadros caracteriza, por um lado, que apesar da redução do ritmo de crescimento econômico, a mobilidade social ascendente continuou avançando nos dois primeiros anos do governo Dilma. Por outro lado, identifica a partir dos dados da PNAD de 2013 “um cenário totalmente distinto e preocupante” de significativa piora entre 2012 e 2013, que interrompeu um ciclo de melhorias que perdurava desde 2004.

O Prof. Waldir Quadros destaca que “em 2013 são bastante expressivas as reduções na Alta (780 mil pessoas) e, principalmente, na Média Classe Média (2,6 milhões), inchando a Baixa Classe Média” e que “por sua vez, os números sugerem que um contingente em torno de um milhão de pessoas foi rebaixado desta última camada, algo inédito ao menos desde 2004”. Ademais, indica que “pela primeira vez no período, a camada de Miseráveis cresce em 1,3 milhão de pessoas, revelando a profundidade do descenso social”.

Com a desaceleração econômica mais forte em 2014, vislumbram-se tendências de aprofundamento deste movimento regressivo, reforçadas pelos desdobramentos do ajuste recessivo promovido pelo governo em 2015. Conforme afirma Quadros, “se a paralisia prolongada provocou um retrocesso desta magnitude, um recuo maior na economia pode causar um estrago ainda mais sério na estrutura social, em grande medida afetando aqueles que foram beneficiados recentemente”.

Rica e inquietante reflexão do professor Waldir Quadros sobre as relações entre economia e a estrutura social brasileira no momento presente.

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