43 milhões de brasileiros, ou seja, 21%, vivem sem renda do trabalho. Entrevista especial com Waldir Quadros

Foto: Tomaz Silva | Agência Brasil

Patricia Fachin | IHU Unissinos

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, que divulga informações sobre a renda do trabalho, “explicitam a realidade do aumento da pobreza no país”, diz o economista Waldir Quadros em entrevista concedida por WhatsApp ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

Segundo ele, neste ano, 43 milhões de brasileiros estão vivendo sem renda do trabalho, o que representa aproximadamente 21% da população. De 2019 a 2020, quase 13 milhões de brasileiros passaram a viver nessa situação. “Esses dados mostram as famílias em que não há nenhum membro ocupado nem recebendo renda oriunda do trabalho. Uma parcela dessas famílias é composta por aposentados, que não têm renda do trabalho, mas recebem renda da aposentadoria, geralmente, no valor de um salário mínimo. Nesse quadro estão também os pensionistas, os que recebem o benefício do Programa Bolsa Família e aqueles que recebem algum tipo de renda que não é oriunda do trabalho. E 80% desse pessoal é pobre”, resume.

“As pessoas que trabalham com reciclagem, por exemplo, são enquadradas dentro daquelas que vivem com renda do trabalho – a PNAD inclui todos os trabalhadores, sejam eles informais ou formais. Então, quem está nessa situação de viver sem a renda do trabalho, nem catador de lixo é”, afirma o economista.

Entre as fontes de renda de que têm garantido a assistência de muitas famílias neste momento de vulnerabilidade e aumento do desemprego, Quadros destaca a aposentadoria. “Uma fonte importante de renda para essas pessoas e famílias tem sido a aposentadoria. Quem é aposentado tem uma renda garantida. Nesse sentido, preservar e valorizar as aposentadorias é algo importante, porque a grande maioria da população vive com uma aposentadoria de um salário mínimo. A correção das aposentadorias seria uma medida altamente efetiva nesse momento porque uma parte expressiva desses aposentados é responsável pelas famílias”.

O atual nível de desemprego, pontua, deveria acelerar a instituições de programas de distribuição de renda e a instituição de uma renda mínima. “Neste momento, temos que apostar no auxílio emergencial, para ‘tirar as pessoas do buraco’ imediatamente, e na renda mínima universal como algo permanente”, afirma.

Waldir José de Quadros possui graduação em Economia pela Universidade de São Paulo – USP e mestrado e doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. É professor associado aposentado do Instituto de Economia da Unicamp e professor da Faculdades de Campinas – Facamp.

Confira a entrevista aqui

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