Panorama do sindicalismo no Brasil 2015-2021

Ana Paula Fregnani Colombi
Anderson Campos
Andréia Galvão
Elaine Regina Aguiar Amorim
Flávia Ferreira Ribeiro
Hugo Miguel Oliveira Rodrigues Dias
José Dari Krein
Patrícia Vieira Trópia

A conjuntura em que se move o sindicalismo brasileiro no período compreendido por esta pesquisa (2015-2021) é bastante adversa. As mudanças na estrutura produtiva e na organização do trabalho, associadas ao baixo crescimento econômico e a um mercado de trabalho historicamente desestruturado, impactam diretamente sua base social. Essa situação, que se desenvolve desde os anos 1990, agravou-se com a crise econômica e política de 2015, que levou à ofensiva neoliberal-conservadora, ao processo sistemático de desmantelamento dos direitos sociais e trabalhistas e ao ataque à organização sindical. Esse contexto é agravado pela aprovação da reforma trabalhista em 2017 e à vitória eleitoral da extrema direita em 2018. A isso, somam-se movimentos de longo prazo no mundo do trabalho e os limites históricos da estrutura sindical brasileira , desenhando um cenário desafiador para ação coletiva neste que pode ser considerado o momento mais desfavorável ao movimento sindical desde a ditadura militar.

Esse breve esboço indica que o sindicalismo brasileiro vem sendo afetado por um conjunto expressivo de mudanças estruturais e conjunturais que alteram as condições e relações de trabalho, levando ao enfraquecimento de sua apacidade de fazer frente ao processo de desmonte de direitos e de envolver trabalhadoras e trabalhadores nas atividades de organização e mobilização.

Esta pesquisa buscou investigar como os sindicatos estão enfrentando esse contexto com o intuito de elaborar um diagnóstico da situação sindical no Brasil a partir de algumas experiências. As perguntas norteadoras são: 1) O que os sindicatos têm feito para preservar ou fortalecer o seu papel, sua legitimidade e representatividade junto aos trabalhadores? 2) Observam-se experiências exitosas de resistência e capacidade de inovação? Como o sindicato consegue enfrentar (ou não) a conjuntura adversa acima descrita? 3) que inibe o enfrentamento? 4) Observam-se novas formas de organização sindical, com capacidade de incorporar os diferentes tipos de trabalhadores precarizados, como os informais, os falsos autônomos, os que se veem como empreendedores? 5) Os sindicatos têm sido capazes de incorporar a diversidade presente na classe trabalhadora, como as mulheres, negras e negros, jovens, LGBTs, bem como de dialogar com questões ambientais? 6) Que mudanças se produzem em sua forma de organização ou que mudanças são requeridas para que possam ampliar sua capacidade de representação? 7) Qual sua capacidade de se atualizar diante do impacto das novas tecnologias e o avanço da digitalização? 8) Diante da reconfiguração dos segmentos econômicos e do excedente estrutural de força de trabalho, que pautas de mobilização os sindicatos estão construindo?

Para discutir essas questões, definimos uma amostra aleatória de sindicatos, composta por 27 entidades inseridas em diferentes áreas de atividade econômica, que representam diferentes categorias profissionais e cuja base territorial está localizada em distintos estados da federação.

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