Trabalho na América Latina e a Pandemia

ARTIGO

Marcio Pochmann, Denis Maracci Gimenez e Tomás Rigoletto

A América Latina ingressou na terceira década do século 21 atormentada pela pandemia do coronavírus a impor retrocessos econômico e social que apontam superioridade aos verificados, por exemplo, na grande Depressão de 19292.

Da mesma forma que há 91 anos, os países da região convivem com catástrofe imposta externamente, porém de natureza distinta. A grande depressão iniciada em 1929, a partir da queda na Bolsa de Valores de Nova Iorque, somente encerrou em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial. Após diversas experiências exitosas de abandono do Estado liberal, o mundo conheceu, em pleno domínio da Guerra Fria (1947-1991), a fase econômica expansionista, como no caso da América Latina, cujo crescimento do PIB foi de 5,8% como média anual (3% para o PIB per capita) entre as décadas de 1950 e 1980.
Em 2020, a regressão econômica e social que decorre da crise sanitária imposta por onda viral de dimensão mundial encontra os países latino-americanos já debilitados pela estagnação econômica (0,2% de variação média anual do PIB entre 2010-2019) que se sucedeu a crise financeira de dimensão global de 2007-2009. Isso após os anos 2000 terem registrados a expansão média anual do PIB regional de quase 6%, sucedendo o calvário representado pela estagnação da renda per capita, sucessivamente, nas
décadas de 1980 e 1990.

O emparedamento dos limites do presente latino-americano pressupõe superar o colonialismo mental do neoliberalismo que circunscreve a projetar o futuro como certa continuidade do passado primário-exportador. Sabe-se que a onda viral atual resulta da forma degradante com que o desenvolvimento capitalista tem explorado a natureza. As emissões dos gases de efeito estufa, o desmatamento e a mudança climática agridem o conjunto dos biomas, forçando a liberação crescente de vetores propagadores das doenças virais.

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